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Três portas, um carro atrás de uma e um bode atrás de cada uma das outras duas. Você aponta a porta 1, o apresentador abre a porta 3 e mostra um bode, e então oferece a troca pela porta 2. Trocar vence, e vence com folga.
Sua primeira escolha acerta o carro em uma de cada três tentativas. Esse número foi fixado no instante em que você apontou, antes de qualquer porta abrir, e nada que aconteça depois no palco pode alterá-lo.
Se a sua porta ganha em um terço das vezes, todo o resto da probabilidade, os dois terços restantes, mora nas outras duas portas. O apresentador não apaga essa massa quando abre uma delas: ele apenas mostra em qual das duas ela não está.
Repare no que ele pode e não pode fazer. Ele nunca abre a porta que você apontou e nunca abre a porta do carro, e essas duas restrições valem em toda rodada, não são sorteadas.
Percorra os três começos possíveis, cada um com a mesma chance de acontecer:
| Sua porta tem o carro | trocar perde |
| Sua porta tem o bode A | trocar ganha |
| Sua porta tem o bode B | trocar ganha |
Dois dos três começos terminam com o carro na porta que sobrou. A troca converte a sua chance inicial de um terço na chance complementar de dois terços, e não existe truque escondido em lugar nenhum da mesa.
O ponto que trava quase todo mundo é a impressão de simetria. Restam duas portas fechadas, elas parecem iguais por fora, e a cabeça conclui que cada uma vale metade.
Só que as duas portas chegaram até ali por caminhos completamente diferentes. Uma foi apontada por você, no escuro, sem informação nenhuma. A outra foi poupada por alguém que enxergava o conteúdo das três e agia sob a obrigação de não estragar o programa.
Existe um teste limpo para separar quem entendeu de quem decorou. Se o apresentador abrisse uma porta ao acaso, sem saber o que havia atrás, e por sorte saísse um bode, aí sim as duas portas fechadas valeriam metade cada.
O que muda tudo é a intenção por trás do gesto. Uma porta aberta por acaso não carrega informação sobre as outras, e uma porta aberta por quem sabe carrega toda a informação que ele foi obrigado a esconder.
Guarde a lição de leitura, porque ela reaparece agora numa sala de festa. Uma pergunta que parece falar de você quase sempre está falando do grupo inteiro, e a conta muda de tamanho conforme quem é o sujeito da frase.
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