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O material é uma folha, um lápis e quinze minutos. O procedimento abaixo recupera qualquer texto cifrado por deslocamento fixo sem nenhuma tentativa jogada fora, e funciona igualmente bem em português, latim ou inglês.
1. Monte as duas tiras. Escreva o alfabeto inteiro numa tira de papel e repita o alfabeto numa segunda tira, logo abaixo. Deslize a tira de baixo uma casa por vez e você terá, em cada posição, um dos vinte e cinco deslocamentos possíveis, sem precisar recontar letras a cada teste.
2. Ataque a palavra mais curta. Palavras de uma ou duas letras aceitam pouquíssimas formas válidas em qualquer língua. Teste o deslocamento contra ela primeiro e a maioria das posições da tira cai antes de você tocar no resto do texto.
3. Confirme com as três primeiras letras da frase. Aplique o deslocamento sobrevivente ao começo do texto e olhe a combinação de consoantes e vogais. Uma sequência de quatro consoantes fechadas elimina o candidato na hora, e sobra um punhado de posições para examinar por inteiro.
4. Se a chave mudar a cada mensagem, conte as letras. Escreva quantas vezes cada letra do texto cifrado aparece. Em textos longos de português, A e E dominam a contagem, e a letra mais frequente do texto cifrado costuma ser uma das duas empurrada pelo deslocamento. A distância entre elas entrega a chave sem varredura nenhuma.
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"Si qua occultius perferenda erant, per notas scripsit, id est sic structo litterarum ordine, ut nullum verbum effici posset: quae si qui investigare et persequi velit, quartam elementorum litteram, id est D pro A et perinde reliquas commutet."
Suetônio, no livro Divus Iulius, capítulo 56, da obra De vita Caesarum, escrita por volta de 121 d.C.
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O método de contar letras foi descrito pelo estudioso árabe Al-Kindi no século IX, no tratado Manuscrito sobre a Decifração de Mensagens Criptográficas, e derrubou de uma vez toda a família de cifras que troca cada letra por outra fixa. Depois dele, deslocamento fixo virou brincadeira de criança, e a criptografia séria precisou de chave que muda ao longo do próprio texto.
A Sequência é o placar de quem fecha sozinho. Um ponto por enigma resolvido antes de a solução chegar, e o placar zera no dia em que você espia fora da hora. Placar sem plateia ninguém falsifica.
O deslocamento de três casas continua trabalhando longe de qualquer legião. Ele aparece em quebra-cabeça de jornal, em jogo de escape, no campo de senha trocada entre crianças e no ROT13 que esconde final de filme em fórum de internet, todos herdeiros diretos da tira de pergaminho romana.
A cifra de César nunca protegeu nada pela matemática. Ela protegeu pela distribuição do conhecimento: enquanto ler e escrever era habilidade de poucos, e o conceito de substituir letras era desconhecido da maioria, vinte e cinco chaves bastavam. A segurança morava na cabeça do adversário, não no alfabeto.
"Quantas senhas suas dependem de o outro lado não saber o método, em vez de não ter a chave?"
Teste hoje, em quinze minutos: escreva uma frase de dez palavras num papel e cifre cada letra empurrando três casas adiante, com a volta no Z. Entregue a tira para alguém sem dizer o deslocamento e cronometre. Se a pessoa souber que existe deslocamento fixo, ela chega ao texto em menos de cinco minutos; se não souber, ela devolve o papel sem uma letra recuperada. A diferença entre os dois tempos é a medida exata do que a cifra de César realmente guardava.
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