A resposta de ontem Quantas peças tinha o quadrado perfeito de Sprague, de 1939? Tinha 55 quadrados. Roland Sprague publicou o arranjo em 1939 na revista Mathematische Zeitschrift, em Berlim: um quadrado de lado 4.205 montado com retângulos perfeitos encaixados, um quadrado composto. O total de peças só desceu nas décadas seguintes, até as 21 de Duijvestijn em 1978. |
Os três candidatos que derrubaram a questão se chamavam Shivan Kartha, Bruce Taub e Doug Muir. Eram alunos do ensino médio, moravam longe uns dos outros e não se conheciam. Cada um percebeu o erro por conta própria e escreveu à ETS.
A empresa recebia reclamações de gabarito com frequência, e a maioria vinha de candidato insatisfeito com a própria nota. As três cartas traziam outro conteúdo: a conta completa, com o motivo da quarta volta.
O argumento cabe num exercício de mesa. Marque um ponto na borda do círculo pequeno, apontado para fora. Role o círculo um terço do caminho em volta do grande, o trecho em que a borda dele encosta inteira uma vez. O ponto já passou de apontar para fora: o círculo girou uma volta e mais um terço.
A explicação geral olha para o centro, e não para a borda. O centro do círculo pequeno percorre um caminho de raio 4, o raio 3 do grande mais o raio 1 do pequeno. Esse caminho mede 8π.
O círculo pequeno, de borda 2π, gira uma vez a cada 2π que o centro avança. Oito pi dividido por dois pi dá 4. A conta da banca dividia a borda do grande, 6π, pela borda do pequeno, e chegava a 3.
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Quem conta as voltas pela borda do círculo grande perde a volta da viagem: o centro anda num caminho maior do que a borda.
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A banca admite
A ETS confirmou o erro e tirou a questão da contagem para todos os candidatos daquela versão. As notas de cerca de 300 mil provas foram recalculadas, e a empresa avisou as universidades que já tinham recebido os resultados.
O caso saiu no New York Times em maio de 1982. Um ano antes, um aluno da Flórida já tinha derrubado uma questão de pirâmides do PSAT, a prova preparatória, e a ETS vinha sendo cobrada pela revisão das próprias perguntas.
A questão do círculo tinha passado por várias rodadas de revisão interna. Ninguém da equipe recortou dois círculos de papel e girou um em volta do outro, o teste de dois minutos que teria mostrado a quarta volta.
O erro sobreviveu porque a resposta errada é coerente. Três vezes a borda, três voltas: a conta fecha, as alternativas oferecem o 3 e nada no enunciado acende alerta.
A quarta volta só aparece para quem muda o ponto de vista. Visto de cima, o círculo pequeno roda pelo contato e roda pela viagem, e as duas rotações vão no mesmo sentido.
Os três candidatos fizeram o que a banca deixou de fazer: desconfiaram de uma conta fácil demais para a pergunta.
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