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Os seis blocos que só aceitam uma ordem
C. Dudley Langford viu o filho empilhar cubos coloridos e transformou a brincadeira num enunciado que só fecha em certas quantidades.
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Três cores, seis casas, uma ordem possível
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Por que seis blocos, três cores repetidas duas vezes cada, admitem uma fila só e nenhuma outra? Porque cada cor carrega uma distância obrigatória, e as três distâncias brigam pelas mesmas seis posições. Quem tenta na mão acomoda duas cores em segundos e descobre que a terceira não tem para onde ir.
O enunciado nasceu no chão de uma sala de estar. C. Dudley Langford, matemático escocês ligado à Universidade de St Andrews, olhava o filho pequeno empilhar cubos de madeira coloridos quando reparou numa fila curiosa: entre os dois cubos de uma mesma cor havia sempre um número certo de cubos das outras. Ele generalizou a regra e publicou a nota na revista The Mathematical Gazette em 1958.
A regra cabe em duas linhas. Você tem duas peças de cada cor, numeradas conforme a ordem da cor. Entre as duas peças da cor 1 tem que haver exatamente uma peça. Entre as duas peças da cor 2, exatamente duas. Entre as duas da cor 3, exatamente três. E assim por diante, se houver mais cores.
A armadilha mora na palavra exatamente. Cada exigência, tomada sozinha, se cumpre de dezenas de maneiras numa fila curta. O arranjo só interessa quando todas as exigências valem ao mesmo tempo na mesma fila, e a soma delas derruba quase tudo que se constrói por tentativa. Uma cor colocada cedo demais empurra a seguinte para fora da fila, e o arranjo desmonta na última peça.
Langford percebeu depressa que a brincadeira não funcionava com qualquer quantidade de cores. Com três cores a fila fecha. Com quatro também. Com cinco cores, e com seis, não existe fila nenhuma, por mais paciência que se invista. Ele deixou a pergunta em aberto para os leitores da revista, e a resposta completa chegou no ano seguinte, num artigo curto que cabe em duas páginas.
Com três cores e seis peças o arranjo fecha na mesa de jantar em poucos minutos, e a versão pequena mostra a mecânica inteira, casa por casa.
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I A resposta de ontem
Três cores, seis casas, uma fila só
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Pegue seis peças, duas vermelhas, duas azuis e duas verdes, e chame a vermelha de 1, a azul de 2 e a verde de 3. A meta é enfileirar as seis de modo que haja uma peça entre as vermelhas, duas entre as azuis e três entre as verdes. São seis posições na mesa e três exigências valendo juntas.
O arranjo que resolve, lido da esquerda para a direita, é 3, 1, 2, 1, 3, 2. Na notação compacta ele aparece grudado, como 312132, e qualquer fila que cumpra a regra ganha o nome de emparelhamento de Langford (fila em que cada par respeita a própria distância).
Confira cada cor antes de seguir. Os dois 1 ocupam a segunda e a quarta casa, com apenas o 2 da terceira no meio. Os dois 2 ocupam a terceira e a sexta, com o 1 e o 3 no meio. Os dois 3 ocupam a primeira e a quinta, com três peças no meio.
Existe uma segunda fila que passa no teste, a 2, 3, 1, 2, 1, 3, e ela é a primeira lida de trás para frente. Espelho não conta como arranjo novo, e por essa contagem três cores admitem uma solução única.
Repare no que as três exigências fazem juntas. A cor 3 é a mais exigente, porque precisa de três peças entre as suas duas, e numa fila de seis posições ela só cabe em dois lugares. A cor 1 é a mais dócil, cabe em quase todo canto, e deve entrar por último. A ordem de colocação muda o trabalho inteiro.
A fila não trava por falta de espaço, e sim por excesso de compromisso. Cada peça posicionada assume duas obrigações de uma vez, a da própria cor e a de não roubar a casa que outra cor vai precisar.
Onde o teste de mesa trava
O primeiro erro é começar pela cor 1. Ela encaixa em qualquer buraco, dá a sensação de progresso, e some com as casas que a cor 3 exigia. Comece sempre pela cor de maior distância, que é a que tem menos opções.
O segundo erro é aceitar uma folga temporária com a promessa de ajustar depois. Uma distância errada no meio contamina tudo que vem à direita, e o conserto prometido quase nunca aparece.
O terceiro erro é achar que mais peças significam mais liberdade. Três cores fecham, quatro fecham, cinco não fecham de jeito nenhum e seis também não. A quantidade que funciona segue um padrão próprio, e o enunciado de hoje vive justamente no degrau em que a intuição quebra.
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II O Enigma do dia
Quatro cores e a fila que não perdoa
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Oito peças na mesa, duas de cada cor, numeradas de 1 a 4, e a regra de sempre: uma peça entre os dois 1, duas entre os dois 2, três entre os dois 3, quatro entre os dois 4. Três perguntas, e as três pedem resposta escrita, não palpite. Primeira: existe fila que cumpra as quatro exigências, e qual é ela? Segunda: com cinco cores e com seis cores não existe fila nenhuma, então qual é a regra que decide quais quantidades funcionam, e quem a demonstrou? Terceira: com sete cores quantas filas diferentes existem, sem contar os espelhos?
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As regras valem reler. Cada cor entra duas vezes, a fila tem o dobro de casas em relação ao número de cores, e a distância cobrada é a contagem de peças entre as duas irmãs. A resposta pedida traz a fila escrita, o critério que separa as quantidades que funcionam das que falham, o nome de quem provou e o ano.
Onde quase todo mundo trava
O primeiro erro é adivinhar o critério pelos casos pequenos sem contar direito. Três funciona, quatro funciona, cinco falha, seis falha, sete funciona. Quem para nos dois primeiros acertos aposta num padrão simples e erra feio no oitavo caso.
O segundo erro é confundir fracasso pessoal com impossibilidade. A prova de que a fila não existe precisa de um argumento que cubra todas as ordens de uma vez. Com cinco cores são 3.628.800 arranjos das dez peças, e nenhuma tarde cobre essa lista à mão.
O terceiro erro é procurar a prova no lugar errado. O caminho passa por somar as posições ocupadas e comparar o resultado consigo mesmo. A soma denuncia a contradição antes de qualquer peça ir para a mesa.
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Problema que pede impossibilidade não se resolve montando exemplos. Escreva a soma das posições de todas as peças de dois jeitos diferentes, iguale os dois jeitos e veja o que sobra. Quando o que sobra pede um número inteiro onde só existe uma fração, a impossibilidade fica provada de uma vez para todas as tentativas.
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Responda as três com prova. Escreva a fila de oito peças, o critério que decide quais quantidades de cores funcionam, o nome e o ano de quem fechou a demonstração, e o total de filas distintas com sete cores.
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