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Os dez armários que continuam abertos
Cem alunos percorrem o corredor invertendo portas, e o desfecho cabe numa lista de dez números que qualquer pessoa reconhece de longe.
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Cem portas, dez ainda abertas
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Por que sobram dez portas abertas, e não cinquenta? Porque cada armário é mexido uma vez para cada divisor do próprio número, e divisor costuma andar aos pares. Uma única família de números escapa desse pareamento, e ela é curta.
O enunciado cabe num parágrafo. Um corredor tem cem armários, todos fechados, numerados de 1 a 100. Cem alunos entram em fila, também numerados de 1 a 100. O aluno 1 mexe em todos os armários. O aluno 2 mexe só nos de número par. O aluno 3 mexe nos múltiplos de 3. E assim segue, cada aluno n mexendo apenas nos armários cujo número é múltiplo de n.
Mexer aqui tem sentido preciso: o aluno inverte o estado da porta. Armário fechado ele abre, armário aberto ele fecha. Ninguém escolhe, ninguém pula, ninguém volta atrás. Quando o aluno 100 termina a passagem dele, o corredor fica parado num estado definitivo, e a pergunta é quais portas ficaram abertas.
A intuição chuta alto e erra por larga margem. Muita gente aposta em metade, cinquenta portas, porque a chance de estar aberta parece ser de cara ou coroa. Outros apostam nos ímpares, ou nos primos, ou num padrão alternado. As três apostas caem por terra na primeira conferência feita com papel.
O caminho curto passa por trocar a pergunta. Em vez de simular o corredor inteiro, olhe um armário só e conte quantas vezes a mão de alguém tocou nele. O armário 12 é tocado pelos alunos 1, 2, 3, 4, 6 e 12, que são exatamente os divisores de 12. São seis toques, número par, e porta que sai fechada e recebe quantidade par de inversões volta ao estado inicial. O armário 12 termina fechado.
Repita o raciocínio em qualquer armário e a regra aparece sozinha: a porta fica aberta quando a quantidade de divisores do número dela é ímpar. Resta descobrir quais números têm essa quantidade ímpar, e é aí que o problema deixa de ser sobre corredor e passa a ser sobre aritmética.
O armário 36 entrega a mecânica inteira, toque por toque, e explica por que a lista final é tão pequena.
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I A resposta de ontem
Dez portas abertas num corredor de cem
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Conte os divisores do 36 devagar: 1, 2, 3, 4, 6, 9, 12, 18 e 36. São nove alunos que mexem nessa porta, quantidade ímpar, e por isso o armário 36 termina aberto. Agora repare no motivo de os divisores do 36 darem número ímpar, porque é esse detalhe que resolve o corredor todo.
Divisor nasce em dupla. Se 2 divide 36, então 18 também divide, porque 2 vezes 18 dá 36. Se 3 divide, 12 divide. Se 4 divide, 9 divide. Cada divisor pequeno arrasta um parceiro grande, e a conta normalmente fecha em quantidade par. No 36 aparece uma dupla estranha: 6 vezes 6 dá 36, e o parceiro do 6 é ele mesmo. Essa dupla vale por um divisor só, e é ela que torna a contagem ímpar.
Isso acontece quando, e somente quando, o número é um quadrado perfeito (resultado de multiplicar um inteiro por ele mesmo). Qualquer outro número tem os divisores todos emparelhados, contagem par, porta fechada no final.
A lista final do corredor é curta: 1, 4, 9, 16, 25, 36, 49, 64, 81 e 100. Dez portas abertas, e nenhuma outra. Os armários 1 e 100 estão entre elas, o que costuma surpreender quem simulou o corredor de cabeça e imaginou o último armário muito visitado.
O armário 100 tem nove divisores: 1, 2, 4, 5, 10, 20, 25, 50 e 100. O último aluno a tocar nele é o 100. Como a contagem é ímpar, a porta fica aberta, e o aluno 10 é o que encosta nela sem trazer parceiro novo, porque 10 vezes 10 dá 100.
A pergunta mudou de lugar, e é por isso que a resposta encurtou. Ninguém precisa acompanhar cem alunos ao longo do corredor; basta contar os divisores de um número e olhar se a contagem é par ou ímpar.
Onde o teste de mesa trava
O primeiro erro é simular o corredor de verdade. Quem desenha cem quadradinhos e risca estado por estado gasta quarenta minutos e erra no meio da lista, porque a passagem do aluno 7 já embaralha o desenho.
O segundo erro é confundir aberto com muito visitado. O armário 96 recebe doze toques, mais que o 36, e mesmo assim termina fechado. O que decide é a paridade da contagem, nunca o tamanho dela.
O terceiro erro é parar no 1. O armário 1 tem um divisor só, contagem ímpar, e fica aberto depois da passagem do primeiro aluno, sem que ninguém mais encoste nele. Quem trata o 1 como caso especial acaba tirando ele da lista e devolve nove portas em vez de dez.
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II O Enigma do dia
Mil portas, um aluno ausente e três perguntas
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O corredor agora tem mil armários fechados, numerados de 1 a 1000, e mil alunos na mesma regra: o aluno n inverte o estado de todo armário múltiplo de n. Três perguntas, e as três pedem resposta escrita com número, não palpite. Primeira: quantos armários ficam abertos ao terminar a passagem do aluno 1000? Segunda: se o aluno 1 faltar à aula e ninguém cobrir a passagem dele, quantos armários ficam abertos, e quais são os fechados? Terceira: entre 1 e 100, quais armários são tocados exatamente três vezes, e o que esses números têm em comum?
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As regras valem reler antes de escrever qualquer coisa. Todos os armários começam fechados, cada aluno percorre o corredor uma vez só, e inverter significa abrir o que está fechado e fechar o que está aberto. A resposta pedida traz a contagem, a lista quando ela é curta e o critério que decide cada caso.
Onde quase todo mundo trava
O primeiro erro é multiplicar a resposta anterior por dez. Cem armários deram dez portas abertas, e a tentação é dizer cem portas abertas em mil armários. A conta certa procura o maior número cujo quadrado não passa de mil, e esse número não é cem.
O segundo erro, na pergunta do aluno faltoso, é imaginar que a ausência dele muda pouco. Ele é o único que toca em todas as portas, então a falta dele altera a paridade de cada armário do corredor, sem exceção. O resultado vira o avesso exato do caso anterior, e a lista curta troca de lado.
O terceiro erro é tratar a terceira pergunta como caça ao acaso. Quantidade de toques igual a três significa quantidade de divisores igual a três, e número com poucos divisores tem formato rígido. Escreva quais números admitem exatamente três divisores e a lista aparece em dois minutos, sem varredura.
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Contagem de divisores é o instrumento certo, e vale a pena montar ela antes de contar qualquer porta. Fatore o número em primos, some 1 a cada expoente, multiplique os resultados. A conta entrega quantos divisores existem, e a paridade desse produto decide o estado da porta sem que ninguém precise andar pelo corredor.
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Responda as três com prova. Escreva quantos armários ficam abertos em mil, quantos ficam abertos com o aluno 1 ausente mais a lista dos fechados nesse cenário, e quais números entre 1 e 100 recebem exatamente três toques.
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