In partnership with

Enigma do Dia   Enigma do Dia
ED 076
{{saudacao | Bom te ver por aqui.}} {{saudacao_nome | }}
              
{{ofensiva_curta | comece hoje}}
Ver ofensiva →

Você escolhe a edição de amanhã: a votação está no fim desta edição.

{{subiu_orn | }} {{subiu_num | }} {{subiu_orn | }}

{{subiu_caps | }}

{{subiu_linha | }}

O epitáfio de Diofanto esconde 84 anos em frações

Um sexto de infância, um doze avos até a barba, um sétimo até o casamento: o poema da Antologia Grega fecha a conta num número só.

Lápide de mármore com frações gravadas em letras gregas.

O epitáfio de Diofanto em frações

▼
 

Dá para descobrir a idade de um homem só pelas frações gravadas na lápide dele? Dá, e no caso de Diofanto de Alexandria a conta fecha em 84 anos, sem sobra e sem chute.

Diofanto viveu em Alexandria, no Egito romano, provavelmente no século 3. Escreveu a Aritmética, uma coleção de problemas com números desconhecidos, e por isso muita gente o chama de pai da álgebra.

Da vida dele quase nada sobrou. Não há carta, retrato nem registro de família. O único dado pessoal que chegou até hoje é um enigma em versos, montado como se fosse a inscrição do túmulo.

O poema não diz a idade. Diz a fatia de cada fase: um sexto da vida na infância, mais um doze avos até a barba crescer, mais um sétimo até o casamento.

Depois vêm dois números inteiros, como pedras no meio das frações. Cinco anos depois do casamento nasce um filho. O filho vive metade da vida do pai, e o pai fica mais quatro anos depois dele.

Com essas peças, a idade aparece sozinha. Quem monta a equação descobre que só um número aceita todas as frações ao mesmo tempo e ainda deixa espaço exato para o 5 e o 4.

O detalhe que prende é o denominador. Seis, doze, sete e dois parecem escolhidos ao acaso, e o menor número divisível por todos eles é justamente 84.

Por isso o enigma funciona tão bem em sala de aula. Qualquer idade diferente de 84 deixa uma das fases em ano quebrado, com meses sobrando ou faltando, e a lápide deixa de fazer sentido.

Ninguém garante que Diofanto viveu 84 anos. O poema foi escrito séculos depois dele, e pode ser homenagem, brincadeira de professor ou as duas. O número, porém, sai da conta com precisão de relojoeiro.

Logo abaixo, a história do poema, guardado numa coleção bizantina de enigmas; depois, o enigma inteiro para você resolver e a solução, fase por fase.

Continue lendo ↓

 

Quem banca a edição de hoje

Build Your First GTM Agent Workflow

Logging. Enrichment. Routing. It’s the GTM work that eats a startup’s week. Agents can own it so your team gets back to selling.

On October 28, HubSpot and Dust run Build, Buy, or Hire? live. No panel. We build your first automated workflow in HubSpot and Dust, including a post-call automation and a Slack account ownership layer, and you take the build home.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

I  A resposta de ontem

O poema de Metrodoro

A resposta de ontem

Que outro tratado de Arquimedes só sobreviveu nesse pergaminho?

O Método dos Teoremas Mecânicos, em que Arquimedes mostra como pesava figuras numa alavanca imaginária para descobrir áreas e volumes antes de prová-los. Heiberg identificou o texto no palimpsesto em 1906, e nenhuma outra cópia sobreviveu, nem em grego nem em tradução.

O epitáfio sobreviveu dentro da Antologia Grega, uma enorme coleção de poemas curtos reunida em Bizâncio ao longo de séculos. O livro 14 da antologia junta enigmas, oráculos e problemas de aritmética em verso.

Quase todos os problemas desse livro são atribuídos a Metrodoro, um gramático grego que viveu por volta do ano 500. Ele recolheu dezenas de charadas numéricas, muitas sobre tanques que enchem, estátuas pesadas e maçãs repartidas entre irmãos.

O de Diofanto ocupa o número 126 do livro 14. Os versos falam com o leitor como uma lápide: este túmulo guarda Diofanto, e a arte dos números revela a medida da vida dele.

O formato tinha público certo. Nas escolas gregas, o professor recitava o enigma em voz alta e os alunos disputavam quem chegava primeiro ao número. O verso ajudava a decorar o enunciado.

Metrodoro não inventou o gênero. Problemas de idade e de herança aparecem também em papiros egípcios e em tábuas da Mesopotâmia, sempre com a mesma estrutura: partes de um todo desconhecido e um resto conhecido.

A coleção quase se perdeu. O manuscrito mais completo, o Códice Palatino, foi copiado em Constantinopla por volta de 940 e só foi achado na biblioteca de Heidelberg, na Alemanha, em 1606, pelo estudioso francês Claude Saumaise.

Uma obra maior que a vida

A Aritmética de Diofanto teve sorte parecida. O autor anuncia 13 livros na introdução, e por muito tempo só seis eram conhecidos em grego. O resto parecia perdido.

Os problemas dele não pediam qualquer resposta. Diofanto buscava soluções em números racionais (frações exatas, sem decimal infinito), e hoje as equações com essa exigência levam o nome dele: equações diofantinas.

Ele também inventou abreviações. Em vez de escrever "o número desconhecido" a cada linha, usava um sinal parecido com a letra grega sigma, e outros sinais para o quadrado e o cubo. Foi um dos primeiros passos rumo à álgebra com símbolos.

A única biografia de Diofanto é uma equação de primeiro grau.

A obra voltou à Europa em 1621, quando o francês Claude Gaspard Bachet de Méziriac publicou o texto grego com tradução latina. Um exemplar dessa edição caiu nas mãos de um juiz de Toulouse que estudava matemática nas horas vagas, e as margens dele mudaram a história da disciplina.

Bachet também gostava de enigmas. No mesmo período ele publicou um livro de problemas recreativos com números, e a edição da Aritmética circulou entre curiosos e matemáticos de toda a França.

 
 

II  O Enigma do dia

Seis fases e dois números soltos

O epitáfio diz: Diofanto passou um sexto da vida como criança, mais um doze avos até a barba crescer e mais um sétimo até casar. Cinco anos depois nasceu o filho, que viveu metade da idade final do pai. O pai viveu ainda quatro anos depois do filho. Quantos anos Diofanto viveu, e com quantos anos se casou?

O enigma parece longo e cabe numa linha. O trabalho está em traduzir cada frase do poema para um pedaço da equação, sem pular nenhuma fase.

A armadilha clássica mora na palavra "metade". Ela se refere à vida inteira do pai, e não à idade que o pai tinha quando o filho nasceu.

Para começar, separe os dados do enunciado:

• Infância: um sexto da vida.

• Até a barba: um doze avos.

• Até o casamento: um sétimo.

• Até o filho: cinco anos.

• Vida do filho: metade da vida do pai.

• Depois do filho: quatro anos.

A primeira pista: chame a idade final de x e escreva cada fase em função dele.

A segunda pista: some todas as fases e iguale a soma a x, porque as fases juntas formam a vida inteira.

A terceira pista: procure o menor número que 6, 12, 7 e 2 dividem sem resto. Ele transforma todas as frações em inteiros.

A quarta pista: descubra que fração da vida as quatro frações cobrem juntas. O que sobra tem de valer exatamente 5 mais 4 anos.

Onde a conta tropeça

A primeira armadilha é somar as frações como se fossem anos. Um sexto mais um doze avos não dá dezoito anos; dá um quarto da vida, ou seja, três doze avos.

A segunda é esquecer um dos números soltos. Quem lê depressa guarda o 5 e perde o 4 do final, e a equação deixa de ter solução inteira.

A terceira é aplicar a metade à idade errada. Se o filho vivesse metade da idade do pai no nascimento, a conta pararia num número quebrado.

A quarta é desconfiar de um resultado bonito demais. Quando x sai redondo, vale conferir fase por fase em anos inteiros antes de aceitar; se alguma fase der fração de ano, há um erro de leitura no poema.

Toda fração da lápide aponta para o mesmo x, a vida inteira.

Responda por escrito: a idade final de Diofanto, a idade no casamento e a idade em que o filho nasceu.

 

Quem banca a edição de hoje

Where Quantitative Thinkers Compete, Learn and Grow

The International Quant Championship (IQC) is one of the world's largest quantitative research competitions, bringing together 156,000+ participants globally.

Participants have the opportunity to develop quantitative research skills, challenge themselves alongside peers from around the world and connect with a global community of quantitative thinkers.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

III  Sequência

Oitenta e quatro, fase por fase

Diofanto viveu 84 anos e se casou aos 33. A solução anda em quatro passos:

1. A equação fica x/6 + x/12 + x/7 + 5 + x/2 + 4 = x.

2. O mínimo múltiplo comum de 6, 12, 7 e 2 é 84, e multiplicando tudo por 84 sai 14x + 7x + 12x + 420 + 42x + 336 = 84x.

3. Juntando os termos, 75x + 756 = 84x, então 9x = 756.

4. Dividindo 756 por 9, sobra x = 84.

Com o número em mãos, a vida se desenrola em anos inteiros. Infância de 14 anos; barba aos 21; casamento aos 33; filho aos 38.

O filho vive 42 anos, metade de 84, e parte quando o pai tem 80. Quatro anos depois, o pai completa os 84. Somando as fases, 14 mais 7 mais 12 mais 5 mais 42 mais 4 dá 84, sem folga.

Há um atalho mais curto. As quatro frações somam 75/84 da vida, e o que sobra, 9/84, tem de ser os 9 anos soltos (5 mais 4). Um oitenta e quatro avos vale um ano, logo a vida tem 84.

As margens de Fermat

O juiz de Toulouse se chamava Pierre de Fermat. Lendo o problema 8 do livro 2 da Aritmética, que pede para dividir um quadrado em dois quadrados, ele anotou na margem que o mesmo era impossível para cubos e potências maiores.

Fermat escreveu em latim: "Descobri uma demonstração admirável disso, mas esta margem é estreita demais para contê-la" (Pierre de Fermat, nota na Aritmética de Diofanto, publicada em 1670).

O filho dele, Samuel, imprimiu as notas numa edição nova da Aritmética em 1670. A frase da margem virou o Último Teorema de Fermat e só foi provada em 1995, por Andrew Wiles.

Uma lápide em frações e uma margem estreita deixaram à matemática dois enigmas de séculos.

“Com quantos anos Diofanto viu nascer o filho?”

Casamento aos 33, mais os cinco anos do poema: o filho nasceu quando Diofanto tinha 38.

Teste hoje: escreva a sua idade como soma de frações, um sexto para a infância, um doze avos para a adolescência e assim por diante, e entregue o enunciado a alguém da casa. Se a pessoa chegar à sua idade em menos de cinco minutos, o enigma está bem montado; se travar, falta um número solto. A Aritmética anunciava 13 livros, e só seis circularam em grego por séculos.

Fica a pergunta  ·  até amanhã

Em que biblioteca reapareceram, em 1968, quatro livros perdidos da Aritmética de Diofanto?

 
 
Quiz da edição

No epitáfio de Diofanto, que número aparece ao mesmo tempo como o menor múltiplo comum dos denominadores das frações (6, 12, 7 e 2) e como a idade final dele?

A72
B96
C84
D60

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
Sua avaliação

Como foi a edição de hoje?

🧩🧩🧩🧩🧩  ótima 🧩🧩🧩🧩  boa 🧩🧩🧩  ok 🧩🧩  ruim 🧩  péssima
 
Escolha a edição de amanhã

Qual edição você quer ver amanhã?

Voto aberto até 22/10, 15h30

A Mosca de Von Neumann →
B Instant Insanity →
C Número de McNugget →
D Problema da Cabra →
 
Recomendação de Newsletter
A Origem das Palavras

A Origem das Palavras

Todo dia, 12:12. Uma palavra que você usa sem pensar revela séculos de história escondida, em dois minutos de leitura.

Quero receber →

 
Sua ofensiva
🔥 {{streak_atual | 0}} {{streak_titulo | Comece sua ofensiva hoje}} recorde {{streak_recorde | 0}}
Seus últimos 6 dias e hoje
{{ouro_linha | Cada edição vale 10 de ouro: voto, quiz e clique.}}

missão de hoje

📨 Mandar seu link pra 1 pessoa (1x por dia) +10
WhatsApp   Copiar link

Confirmou? +100 de ouro: entra no seu ouro à noite.

{{streak_cta | Começar minha ofensiva}}
{{rank_simbolo | Ⅰ}} {{rank_nome | Aprendiz}} · {{moedas | 0}} de ouro · loja e missões →
 
 
 

A resposta, amanhã.

Enigma do Dia

ENIGMA DO DIA

Um enigma por dia. A resposta, amanhã

💬 Receba pelo WhatsApp·✍️ Crie sua Newsletter