In partnership with

Enigma do Dia   Enigma do Dia
ED 090
{{saudacao | Bom te ver por aqui.}} {{saudacao_nome | }}
              
{{ofensiva_curta | comece hoje}}
Ver ofensiva →

Você escolhe a edição de amanhã: a votação está no fim desta edição.

{{subiu_orn | }} {{subiu_num | }} {{subiu_orn | }}

{{subiu_caps | }}

{{subiu_linha | }}

O altar de Delos esperou 22 séculos por Wantzel

Um oráculo pediu um cubo com o dobro do volume. Em 1837, um francês provou que o compasso nunca entrega essa aresta.

Altar cúbico de pedra num santuário grego, com compasso e esquadro.

O altar cúbico de Apolo em Delos

▼
 

Por que os gregos nunca acharam a aresta de um cubo com o dobro do volume? Acharam o número, por aproximação e com curvas engenhosas, mas não com as ferramentas que eles mesmos tinham escolhido como as únicas honestas: o compasso e uma borda reta sem marcas.

A ilha de Delos, no mar Egeu, era o santuário de Apolo, o deus que os gregos associavam à luz, à música e às epidemias. Segundo a tradição, o altar do deus ali tinha a forma de um cubo de pedra. Peregrinos chegavam de barco para as festas do deus, e a ilha inteira vivia do templo e das oferendas.

Os moradores, castigados por uma peste, mandaram consultar o oráculo. A resposta veio curta: dobrem o altar. A ordem parece de pedreiro, e esconde um problema de matemática pura.

Dobrar o volume de um cubo exige uma aresta 1,2599 vezes maior, e a sequência de decimais não acaba nem se repete. Para um altar de 1 metro de aresta, a pedra nova precisa medir 1,2599 metro de lado, mais uns décimos de milímetro difíceis de cravar.

A geometria grega aceitava duas ferramentas. O compasso traça círculos; a borda reta liga dois pontos. Qualquer comprimento obtido só com as duas passava por demonstrado. Bissetriz, hexágono, raiz quadrada de 2: tudo saía desse par de instrumentos.

A raiz cúbica de 2 não saiu. Gerações de matemáticos tentaram por 22 séculos, de Atenas a Alexandria, de Bagdá a Paris, até um engenheiro francês de vinte e poucos anos, Pierre Laurent Wantzel, publicar em 1837 a prova de que a construção pedida não existe.

Abaixo, como o problema nasceu e por que os pedreiros erraram a conta. Depois, um enigma com um cubo de 1 metro e uma calculadora comum. Por último, os cinco passos do argumento de Wantzel, explicados sem fórmula pesada.

Continue lendo ↓

 

Quem banca a edição de hoje

Your Backyard, All Four Seasons

Most backyards get about 90 good days a year. Yours could get 365.

Think about the moments you keep postponing "until summer": the birthday dinner outside, the Sunday morning coffee, the late-night talks with friends. A Hansø pergola stops the waiting. 

Adjustable louvers let you chase the sun or shut out the rain. The structure is built from T6 aerospace-grade aluminum and engineered for up to 167 mph winds and up to 65 PSF snow load, so it's still standing strong when the weather isn't.

Early Bird Offers LAST CHANCE: save up to 40% on pergolas, plus a $1,000 installation voucher*, a Free Hansø ProCheck Care™ 10-Year Plan worth $950, and some FREE accessories to keep fall and winter evenings cozy.

Most pergolas are just for summer. Yours is for every season.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

I  A resposta de ontem

Oito altares no lugar de dois

O relato mais antigo do altar de Delos vem de Eratóstenes de Cirene, bibliotecário de Alexandria no século III antes de Cristo, numa carta ao rei Ptolomeu III. A carta sobreviveu porque Eutócio de Ascalão, comentador grego do século VI, a copiou num estudo sobre Arquimedes.

Pela versão de Eratóstenes, os construtores de Delos entenderam a ordem do jeito mais simples: dobraram cada aresta do altar. Um cubo com aresta duas vezes maior tem volume oito vezes maior, porque o comprimento entra três vezes na conta: 2 vezes 2 vezes 2.

A peste não cedeu. Os delianos procuraram Platão, em Atenas, e o filósofo, segundo o biógrafo Plutarco, respondeu que o deus não precisava de altar maior. O recado do oráculo, para Platão, era outro: os gregos deviam largar a guerra e estudar geometria.

Hipócrates troca o problema

Antes de Platão, Hipócrates de Quios, geômetra do século V antes de Cristo (sem parentesco com o médico de Cós), já tinha reformulado a questão. Dobrar o cubo, mostrou ele, equivale a achar duas médias proporcionais (dois números intermediários numa progressão de razão fixa) entre a aresta e o dobro dela.

Em números: entre 1 e 2, é preciso achar x e y com 1 está para x assim como x está para y, e y está para 2. O primeiro desses números, x, é a aresta do altar dobrado. A troca não resolvia nada, mas deu ao problema uma forma que as curvas podiam atacar.

Três soluções gregas fora da lei

Arquitas de Tarento, amigo de Platão, achou as duas médias cruzando três superfícies no espaço: um cilindro, um cone e um toro (sólido em forma de boia). Menecmo, aluno de Eudoxo, chegou ao mesmo ponto cruzando duas parábolas, curvas que ele próprio estudava como fatias de cone.

Eratóstenes construiu um instrumento, o mesolábio (pegador de médias), com três placas deslizantes num trilho. Ele mandou gravar o desenho numa coluna votiva com um poema dedicado ao rei. Todas essas soluções acertam a aresta, e todas usam algo além do compasso e da borda reta.

Os gregos acharam a aresta várias vezes, sempre com uma ferramenta proibida.

Os próprios gregos sabiam a diferença. Pappus de Alexandria, no século IV, separou os problemas em planos (resolvidos com compasso e borda reta), sólidos (que pedem cônicas) e lineares (que pedem curvas mais complexas) e pôs a duplicação do cubo entre os sólidos. Faltava a prova de que ela não cabia na primeira gaveta.

 
 

II  O Enigma do dia

Um cubo de 1 metro e uma calculadora

Um altar cúbico tem 1 metro de aresta e volume de 1 metro cúbico. Usando só multiplicação, sem a tecla de raiz, ache a menor aresta com duas casas decimais cujo cubo passa de 2 metros cúbicos.

O palpite comum é 1,5, metade a mais de aresta para o dobro de volume. Parece justo e erra feio: 1,5 vezes 1,5 vezes 1,5 dá 3,375, mais do triplo do altar original.

O que conferir

Elevar ao cubo é multiplicar o número por ele mesmo duas vezes seguidas. Com 1,2, por exemplo, a primeira conta dá 1,44 e a segunda dá 1,728, ainda abaixo de 2.

A busca anda em duas etapas. Primeiro se acha a casa dos décimos, entre dois valores vizinhos. Depois se repete a busca nos centésimos, dentro do intervalo encontrado.

As pistas

1. Primeira pista: 1,3 ao cubo dá 2,197, então a aresta fica entre 1,2 e 1,3.

2. Segunda pista: a resposta fica mais perto de 1,3 do que de 1,2.

3. Terceira pista: 1,25 ao cubo dá 1,953125, ainda abaixo do dobro.

4. Quarta pista: a resposta termina no algarismo 6.

Onde o raciocínio escorrega

O primeiro escorregão é o dos construtores de Delos: tratar volume como se fosse comprimento. Dobrar a aresta multiplica o volume por 8, e aumentar a aresta pela metade multiplica por mais de 3.

O segundo é arredondar cedo. Quem corta 1,44 para 1,4 na primeira multiplicação chega a 1,68 no lugar de 1,728 e erra a casa dos décimos na conta seguinte.

O terceiro é parar no primeiro valor acima de 2 sem conferir o anterior. A pergunta pede a menor aresta de duas casas acima do dobro, então o vizinho de baixo precisa ficar abaixo de 2.

O volume cresce no cubo da aresta, e o olho mede só a aresta.

Responda antes de seguir: escreva num papel a aresta com duas casas decimais.

 

Quem banca a edição de hoje

Tired of news that feels like noise?

Every day, 4.5 million readers turn to 1440 for their factual news fix. We sift through 100+ sources to bring you a complete summary of politics, global events, business, and culture — all in a brief 5-minute email. No spin. No slant. Just clarity.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

III  Sequência

Como Wantzel fechou a conta

Pierre Laurent Wantzel nasceu em Paris em 1814, formou-se na Escola Politécnica e publicou a prova em 1837 no Journal de Mathématiques Pures et Appliquées (revista de matemática pura e aplicada), editado por Joseph Liouville. O argumento cabe em cinco passos.

1. Toda construção parte de um segmento de comprimento 1, a unidade.

2. Cada ponto novo nasce do cruzamento de retas e círculos, e as coordenadas dele saem de soma, subtração, produto, divisão e raiz quadrada dos números anteriores.

3. Cada raiz quadrada nova dobra o grau do número, isto é, o grau da menor equação de coeficientes inteiros resolvida por ele. O grau de um número construível é sempre 1, 2, 4, 8, 16, e assim por diante.

4. A aresta pedida resolve x³ = 2 (x ao cubo igual a 2), e essa equação não se quebra em equações menores com frações. O grau da aresta é 3.

5. O número 3 não é potência de 2, então nenhuma sequência de cruzamentos chega à aresta.

A resposta do enigma é 1,26. Três multiplicações confirmam: 1,26 vezes 1,26 dá 1,5876, e 1,5876 vezes 1,26 dá 2,000376, um fio acima do dobro. O vizinho de baixo, 1,25, dá 1,953125 e fica abaixo.

A prova vale também para o ângulo

O mesmo artigo de 1837 derrubou um segundo problema grego: dividir qualquer ângulo em três partes iguais com compasso e borda reta. A trissecção do ângulo de 60 graus leva a outra equação de grau 3, e o passo 5 se aplica igual.

O título do artigo anuncia o método inteiro: “Recherches sur les moyens de reconnaître si un problème de Géométrie peut se résoudre avec la règle et le compas” (pesquisas sobre os meios de reconhecer se um problema de geometria se resolve com os dois instrumentos clássicos), Pierre Wantzel, Journal de Mathématiques Pures et Appliquées, 1837.

Grau 3 contra potências de 2: a aresta de Delos fica fora do alcance do compasso.

Outras ferramentas chegam lá. Peter Messer publicou em 1986, na revista canadense Crux Mathematicorum, uma sequência de dobras de papel capaz de marcar a raiz cúbica de 2 numa folha quadrada, porque a dobradura resolve equações de grau 3.

Quanto à peste, nenhum documento registra como ela acabou em Delos. O relato de Eratóstenes trata do erro dos construtores e da resposta de Platão; o destino dos doentes ficou fora da carta e de qualquer outra fonte grega conhecida.

“Qual é a menor aresta de duas casas cujo cubo passa de 2?”

1,26, com volume de 2,000376 metros cúbicos.

Teste hoje: sem a tecla de raiz, ache a aresta de um cubo com o triplo do volume, com duas casas decimais. Anote quantas multiplicações você fez. Com a busca em duas etapas, a resposta 1,45 sai em até oito multiplicações; 1,44 ao cubo dá 2,985984 e fica abaixo de 3.

 
 
 

Quiz da edição

No relato de Eratóstenes sobre o altar de Delos, qual geômetra grego construiu um instrumento de três placas deslizantes num trilho para achar a aresta certa, e mandou gravar o desenho numa coluna votiva com poema dedicado ao rei?

AArquitas de Tarento
BEratóstenes de Cirene
CMenecmo
DHipócrates de Quios

Veja o ranking de quem mais acerta →

 

Sua avaliação

Como foi a edição de hoje?

🧩🧩🧩🧩🧩  ótima 🧩🧩🧩🧩  boa 🧩🧩🧩  ok 🧩🧩  ruim 🧩  péssima
 

Escolha a edição de amanhã

Qual edição você quer ver amanhã?

Voto aberto até 05/11, 15h30

A Sona dos Chokwe →
B Regra de Trémaux →
C Cruzadas do Dia D →
D A lebre de Masquerade →
 

Recomendação de Newsletter

Mistérios Milenares

Mistérios Milenares

Toda noite, 20:20 na sua caixa: o enigma, as evidências e a pergunta que ninguém respondeu. Com o rigor que você sempre quis e nunca achou em português.

Quero receber →

 

Sua ofensiva

🔥 {{streak_atual | 0}} {{streak_titulo | Comece sua ofensiva hoje}} recorde {{streak_recorde | 0}}
Seus últimos 6 dias e hoje
{{ouro_linha | Cada edição vale 10 de ouro: voto, quiz e clique.}}

missão de hoje

📨 Mandar seu link pra 1 pessoa (1x por dia) +10
WhatsApp   Copiar link

Confirmou? +100 de ouro: entra no seu ouro à noite.

{{streak_cta | Começar minha ofensiva}}
{{rank_nome | Aprendiz}} · {{moedas | 0}} de ouro · loja e missões →
 
 
 

A resposta, amanhã.

Enigma do Dia

ENIGMA DO DIA

Um enigma por dia. A resposta, amanhã

💬 Receba pelo WhatsApp·✍️ Crie sua Newsletter