A resposta de ontem Que fim levou o prêmio de US$ 2 milhões do Eternity II? Ninguém levou os US$ 2 milhões. O prazo de conferência venceu no último dia de 2010 sem uma solução completa, e a fabricante Tomy pagou US$ 10 mil ao sueco Louis Verhaard pela melhor tentativa, com 467 das 480 bordas casadas. O tabuleiro de 256 peças segue sem solução publicada. |
O trabalho que levou ao quadrado de 112 começou em 1936, com quatro alunos do Trinity College, em Cambridge: Leonard Brooks, Cedric Smith, Arthur Stone e William Tutte. Estavam na graduação e se reuniam para atacar problemas fora do currículo.
O primeiro passo deles foi trocar o quadrado por um retângulo. Achar um retângulo perfeito (peças todas distintas, sem a exigência de lados iguais por fora) era mais fácil, e o polonês Zbigniew Moroń já tinha mostrado um em 1925, de 33 por 32, com nove peças.
A virada veio da física. Qualquer retângulo dividido em quadrados vira um circuito elétrico: toda linha horizontal onde peças se tocam é um ponto do circuito, todo quadrado é um fio com a mesma resistência, e a corrente que atravessa o fio mede o lado do quadrado.
Com o circuito desenhado, as leis de Kirchhoff (as regras que dizem como a corrente se divide numa rede de fios) entregavam o tamanho de todas as peças. Desenhar redes era muito mais rápido que recortar papel.
Em 1940, o quarteto publicou o método no Duke Mathematical Journal, com o título The dissection of rectangles into squares (A dissecção de retângulos em quadrados). O artigo mostrava como gerar quadrados perfeitos em série a partir dos circuitos.
William Tutte seguiu outra trilha logo depois. Na Segunda Guerra, em Bletchley Park, quebrou a cifra Lorenz, usada nas mensagens do alto comando alemão, e mais tarde virou referência mundial em teoria dos grafos (o estudo de pontos ligados por linhas).
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O quadrado sem repetição saiu de um diagrama de fios: o lado de cada peça é a corrente que passa por ela.
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A caça ao menor
Em 1948, o inglês Theophilus Willcocks achou um arranjo de 24 peças. Era composto: dentro dele havia um retângulo menor, também feito de quadrados, que se podia isolar. O quadrado sem esse sub-retângulo escondido se chama simples, e o recorde dos simples seguia bem maior.
Duijvestijn atacou os simples. O programa dele gerava circuitos de vários tamanhos, calculava as correntes de todos os fios e descartava a rede sempre que duas peças saíam com a mesma medida.
Em 22 de março de 1978, a máquina entregou o quadrado de lado 112 com 21 peças. Duijvestijn publicou o achado no Journal of Combinatorial Theory, e a busca provou mais: nenhum quadrado perfeito usa menos de 21 peças, e o de 21 tem uma forma só.
As 21 medidas, da maior para a menor: 50, 42, 37, 35, 33, 29, 27, 25, 24, 19, 18, 17, 16, 15, 11, 9, 8, 7, 6, 4 e 2. A soma das áreas dá 12.544, exatamente 112 vezes 112.
A peça de lado 50 ocupa um canto, e a de lado 2 fica presa entre vizinhas muito maiores. Sem o circuito, ninguém adivinharia aquele encaixe a olho.
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