|
Duas portas no fim de um corredor. Uma leva à liberdade, a outra devolve você ao começo. Um guardião de pé em frente a cada uma: um sempre diz a verdade, o outro sempre mente. Você tem uma única pergunta.
|
As duas portas são iguais: mesma madeira, mesma altura, mesma maçaneta, nenhuma placa, nenhuma marca de uso. Olhar para elas o tempo que quiser não devolve pista nenhuma.
Os dois guardiões também são iguais por fora. Nada no rosto, na roupa ou na postura separa o que mente do que não mente, e nenhum dos dois vai se apresentar.
O que eles sabem é completo. Cada um sabe qual porta leva à liberdade, sabe o que o outro é e sabe exatamente o que o outro responderia a qualquer pergunta.
As regras deles são absolutas. O honesto responde a verdade em toda pergunta, sem exceção e sem se calar. O mentiroso responde o oposto exato da verdade, também sem exceção, mesmo nas vezes em que a mentira o prejudica.
A pergunta é uma só, dirigida a um guardião só, e a resposta vem em sim ou não. Você escolhe a quem perguntar e leva o tempo que quiser para formular. Depois da resposta, a mão vai para uma das maçanetas.
Fora da regra: fazer duas perguntas, perguntar aos dois, encostar na porta para testar, ou gastar a pergunta só para descobrir quem é quem.
Onde quase todo mundo trava
O impulso é perguntar o óbvio: qual porta leva à liberdade? O honesto aponta a certa. O mentiroso aponta a errada. Você recebe um dedo apontado e continua sem saber qual dos dois casos está na sua frente.
A segunda tentativa costuma ser diagnóstica. Pergunte algo cuja resposta você já sabe, do tipo o céu é azul, e o sim ou o não denuncia o guardião. Funciona perfeitamente, e é aí que o plano quebra: a pergunta acabou e as duas portas continuam iguais.
A terceira via cai pelo mesmo buraco. Perguntar a ele se é o guardião honesto devolve sim dos dois lados, porque o mentiroso mente inclusive a respeito de si mesmo.
Duas portas, dois guardiões, uma pergunta, e nenhum jeito de saber com quem você está falando.
A aritmética aqui é generosa, ao contrário da lâmpada no sótão. São duas portas, e a resposta chega em duas formas, sim ou não. Uma leitura basta para separar duas possibilidades, e o enigma segue de pé.
O aperto mudou de natureza. Não falta resposta, falta confiança no caminho por onde ela passa. Metade das vezes o canal entrega a mensagem intacta, metade das vezes ele inverte tudo, e nada diz em qual dos dois você está.
Existe uma pergunta que resolve, ela é exata e funciona sempre, com qualquer um dos dois guardiões. Não depende de sorte nem de você adivinhar quem é quem antes de abrir a boca.
O enunciado está inteiro aqui em cima. Duas portas, dois guardiões, uma pergunta, uma resposta de sim ou não, e todas as peças na mesa desde a primeira linha.
|