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Enigma do Dia   Enigma do Dia
ED 009

Doze moedas e apenas três pesagens

Uma das doze moedas é falsa, ninguém sabe se ela pesa a mais ou a menos, e a balança de dois pratos só pode ser usada três vezes.

Doze moedas idênticas alinhadas ao lado de uma balança de dois pratos sobre a bancada.

Doze moedas e uma balança de dois pratos

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Em Sèvres, nos arredores de Paris, um cilindro de platina e irídio com 39 milímetros de altura ficou guardado por mais de um século dentro de três redomas de vidro encaixadas uma na outra, num cofre que só abre com três chaves em três mãos diferentes. Aquele cilindro não media o quilograma. Ele era o quilograma, por definição, desde 1889.

De tempos em tempos o cofre era aberto para a verificação periódica. As cópias oficiais espalhadas pelo mundo voltavam para casa e eram comparadas com o protótipo numa balança de precisão, uma a uma, com o cuidado que se tem com uma peça insubstituível. A terceira verificação, concluída no início dos anos 1990, encontrou uma diferença de cerca de 50 microgramas entre o protótipo e a média das cópias.

Repare no que a balança conseguia e não conseguia dizer. Ela mostrava que a distância entre as peças tinha mudado, e nunca quem tinha mudado. Se o protótipo perdeu massa ou se as cópias ganharam, a comparação não responde, porque comparar não é medir.

Uma balança de dois pratos é o instrumento mais honesto e mais econômico que já inventaram. Ela não devolve número nenhum: devolve uma relação entre dois lados. O prato da esquerda desce, o prato da direita desce, ou os dois ficam parados no mesmo nível.

São três respostas por pergunta, e não duas. Quem monta a pesagem pensando só em qual lado vai descer joga fora a terceira, que é justamente a que aponta para o que ficou fora dos pratos. O que não foi pesado também responde, e responde de graça.

Antes de encostar em moeda nenhuma, falta fechar a conta de uma corrente de sete elos de ouro e de um hospedeiro que cobra uma diária por noite. O serralheiro cobra por corte, a mão pede corte demais, e a conta fecha com muito menos do que parece.

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I  A Resposta de Ontem

Um corte e sete diárias pagas

Sete elos de ouro, sete noites de estalagem, e um serralheiro que cobra por corte.

Uma corrente de sete elos de ouro, uma estalagem de sete noites e uma diária que custa exatamente um elo. O hospedeiro aceita ser pago noite a noite e devolve troco em elos que já recebeu. Descubra o número mínimo de cortes na corrente.

O reflexo é cortar os sete elos e entregar um por noite. Sete cortes resolvem, o hospedeiro não reclama, e a corrente vira um punhado de argolas soltas que ninguém mais chama de corrente.

Troque a pergunta. Em vez de perguntar como entregar um elo por noite, pergunte quanto o hospedeiro precisa ter na mão no fim de cada noite. O pagamento deixa de ser uma entrega e vira uma diferença: o que fica com ele menos o que volta para o bolso.

Com a pergunta virada, um corte só resolve as sete noites.

Corte o terceiro elo da corrente. O corte solta aquele elo sozinho e parte o resto em dois pedaços, um de dois elos e outro de quatro. Ficam na mão um, dois e quatro.

Primeira noite, entregue o elo solto. Segunda noite, entregue o pedaço de dois e receba o solto de volta. Terceira noite, entregue o solto outra vez, e o hospedeiro fecha a noite com três.

Quarta noite, entregue o pedaço de quatro e receba de volta o de dois e o solto. Quinta noite, o solto. Sexta noite, o de dois em troca do solto. Sétima noite, o solto de novo, e a conta fecha em sete.

Um elo que volta para o bolso paga a noite seguinte de novo, e é por causa dele que um corte basta.

Repare no que a sequência aguenta. Ela não depende da boa vontade do hospedeiro nem de contar direito no escuro. Cada noite termina num total exato.

Faltava a pergunta guardada para o fim: quais totais os três pedaços produzem juntos. Um, dois e quatro montam todos os números de um a sete, sem buraco nenhum entre eles.

A razão é aritmética curta. Cada pedaço entra ou não entra na conta da noite, e três decisões de entrar ou não entrar cobrem oito totais, do zero ao sete.

O arranjo tem estrada de sobra fora do papel. Antes de a moeda cunhada dominar o comércio, prata e ouro circulavam cortados aos pedaços, e o pedaço valia pelo que a balança dissesse, não pelo desenho gravado nele.

Guarde o truque de contar com o que volta para o bolso, porque o enigma que vem agora troca os elos de ouro por doze moedas iguais e uma balança que responde três coisas.

 
 

II  O Enigma do Dia

Os dois pratos e a moeda que mente

Doze moedas idênticas sobre a bancada e exatamente uma delas falsa. A falsa pode pesar a mais ou pesar a menos que as legítimas, e ninguém sabe qual dos dois casos é o seu. Em três pesagens numa balança de dois pratos, ache a moeda falsa e diga se ela é a leve ou a pesada.

As doze são iguais em tudo que a vista pega: mesmo diâmetro, mesmo brilho, mesma gravação, mesma borda. Nada além da balança separa a falsa das outras onze.

As onze legítimas pesam exatamente o mesmo entre si. A falsa difere de todas elas por uma quantidade fixa, para cima ou para baixo, e a balança acusa qualquer diferença, por menor que ela seja.

A balança tem dois pratos e nenhum mostrador, ponteiro ou número. Ela responde três coisas: o prato da esquerda desceu, o prato da direita desceu, ou os dois ficaram no mesmo nível.

Você escolhe quantas moedas põe em cada prato, desde que os dois lados recebam a mesma quantidade. Moeda pode trocar de prato entre uma pesagem e outra, e pode ficar de fora quantas vezes você quiser.

Cada pesagem pode ser decidida depois de ver o resultado da anterior. O que não muda é o teto: três leituras no total, e a resposta precisa sair da terceira.

Fora da regra: pesar uma quarta vez, sopesar na mão, trazer um peso conhecido de fora do monte, entregar duas suspeitas no lugar de uma e cravar a moeda sem dizer se ela é a leve ou a pesada.

Onde quase todo mundo trava

A primeira tentativa é dividir ao meio, seis de cada lado. A balança pende, porque a falsa está lá dentro de qualquer jeito, e nenhuma das doze sai da lista de suspeitas.

A segunda é separar em dois grupos e esquecer o terceiro. As moedas que ficam fora do prato costumam ser tratadas como se não estivessem no problema.

A terceira é responder metade da tarefa. Muita gente chega até a moeda e para ali, sem saber dizer se ela puxa para baixo ou para cima, e uma resposta pela metade não fecha o caso.

Três pesagens produzem no máximo vinte e sete leituras diferentes, e o enunciado pede vinte e quatro respostas distintas.

Repare no que a leitura devolve no fim. Não é uma moeda apontada pela balança: é uma sequência de três resultados, e a moeda culpada precisa ser a única compatível com aquela sequência, junto com o lado para o qual ela puxa.

A palavra que trava a maioria é pesar. Pesar sugere descobrir quanto uma coisa tem, e a balança de dois pratos não descobre quanto: ela compara dois montes e para por aí. A tarefa não pede o peso da moeda, pede um trio de comparações que nenhuma outra moeda consiga imitar.

Existe um arranjo de três pesagens que crava a moeda e ainda entrega o lado do defeito.

O enunciado está inteiro aqui em cima. Doze moedas, uma falsa de peso desconhecido, dois pratos sem mostrador e três leituras no total.

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III  Sequência

Três moedas na mesa antes das doze

Pegue doze moedas iguais da gaveta e alinhe as doze na mesa. Um caderno aberto do lado resolve a segunda parte, e o material acabou aqui.

Quem move as moedas com a mão fecha antes de quem tenta segurar doze suspeitas de cabeça. A mesa mostra na hora quais moedas ficaram fora do prato, e o papel guarda o que a memória perde.

1. Reduza antes de atacar. Esqueça as doze e responda o caso mínimo: três moedas, uma delas mais pesada, e uma pesagem só. Anote como você acha a pesada e o que a balança diz quando ela não está em prato nenhum.

2. Suba um degrau de cada vez. Com uma pesagem só, quantas moedas dá para resolver quando você já sabe que a falsa é a mais pesada? Com duas? Anote a progressão numa coluna e a regra aparece sozinha, sem fórmula decorada.

3. Feche o palpite por escrito antes de largar o problema, com a primeira divisão e o que você faz em cada um dos três resultados dela. Palpite guardado só na cabeça vira sempre um confortável eu já sabia.

"O sábio não é o homem que fornece as verdadeiras respostas, é o que formula as verdadeiras perguntas."

Claude Lévi-Strauss, O Cru e o Cozido, 1964.

A pergunta aqui tem endereço: cada pesagem é uma pergunta feita à balança, e o plano vale o que valem as três perguntas. Ninguém precisa adivinhar a moeda, e sim escolher divisões que separem os casos em partes parecidas.

O caso das três moedas ensina a parte que quase todo mundo pula. Quando os dois pratos param no mesmo nível, a resposta não some: ela aponta para as moedas que ficaram de fora, e o grupo de fora sai respondido sem custo nenhum.

Se travar, inverta a pergunta. Em vez de perguntar quantas pesagens as doze moedas exigem, pergunte quantas moedas três pesagens dão conta de resolver, e cresça o monte até passar de doze.

A Sequência é o placar de quem vira a chave sozinho. Um ponto por enigma fechado antes de a solução aparecer, e o placar zera no dia em que você espia fora da hora. Ninguém confere, e um placar sem plateia é o único que não se falsifica.

Ninguém está cronometrando. O enigma trabalha melhor solto: você lê agora, larga, e a resposta costuma chegar no banho ou na fila do mercado.

Um último aviso de jogo limpo. Se o seu plano precisa de uma quarta pesagem, de sopesar na mão, de um peso trazido de fora ou de entregar duas suspeitas no lugar de uma, ele ainda não é o plano.

Doze moedas iguais na bancada, uma falsa de peso desconhecido, dois pratos sem mostrador e três leituras no total.

As doze moedas já estão descritas pelo enunciado. Falta descobrir quantos casos diferentes cada pesagem consegue separar.

"Uma pesagem sozinha separa quantos casos?"

 
 
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