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Enigma do Dia   Enigma do Dia
ED 010

Cinco piratas e as cem moedas

Cem moedas na mesa, cinco tripulantes com direito a voto, e o proponente que precisa de metade deles para não acabar no mar.

Cem moedas de ouro empilhadas sobre a mesa de um convés, com cinco lugares em volta.

Cem moedas e cinco lugares na mesa

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No começo da década de 1720, a bordo do Royal Fortune, a tripulação de Bartholomew Roberts assinava um contrato antes de qualquer viagem. Charles Johnson registrou onze artigos daquele acordo em A General History of the Pyrates, publicado em 1724, e o primeiro artigo não falava de saque: falava de voto. Todo homem tinha voto nas questões de importância e parte igual nas provisões frescas capturadas.

Os artigos seguintes desciam ao detalhe que a assembleia queria ver por escrito. O capitão e o quartel-mestre levavam duas partes do prêmio, o mestre, o contramestre e o condestável uma parte e meia, os demais oficiais uma parte e um quarto, e o marinheiro raso uma parte inteira. Quem perdesse um membro em combate recebia oitocentos dólares do fundo comum antes de o resto ser repartido.

Repare no que a lista faz e no que ela não faz. Ela fixa o tamanho das fatias com antecedência, e não fixa a decisão. A partilha ainda precisa passar por uma assembleia de homens armados que contam a própria fatia enquanto ouvem a proposta ser lida em voz alta.

Uma divisão decidida por votação não é uma conta de aritmética. É uma contagem de mãos levantadas, e mão levantada não obedece ao que é justo: obedece ao que cada um espera receber caso a proposta caia.

Quem fala primeiro numa mesa dessas parece ter a vantagem e carrega o risco inteiro. A proposta dele é a única que pode ser recusada com a fila ainda cheia atrás, e o preço da recusa não é discutir de novo em outro tom.

Antes de contar voto de tripulante, falta fechar a conta de doze moedas iguais numa balança de dois pratos sem mostrador. Uma delas é falsa, ninguém sabe se ela pesa a mais ou a menos, e o teto é de três leituras.

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I  A Resposta de Ontem

Quatro contra quatro na primeira leitura

Doze moedas iguais, uma balança de dois pratos sem mostrador e três leituras contadas.

Doze moedas idênticas, exatamente uma delas falsa, e ninguém sabe se a falsa pesa a mais ou a menos. Em três pesagens numa balança de dois pratos, ache a moeda falsa e diga se ela é a leve ou a pesada.

O reflexo é dividir ao meio, seis contra seis. A balança pende, o resultado já era certo antes de a mão soltar o prato, e as doze continuam na lista de suspeitas. Uma leitura queimada e nenhuma moeda descartada.

Divida em três montes de quatro. A primeira pesagem põe quatro contra quatro e deixa quatro na mesa, e o monte que fica de fora é justamente o que a leitura de empate entrega de graça.

Se os pratos empatarem, as oito pesadas são legítimas e a falsa está nas quatro que sobraram. Na segunda pesagem, três dessas quatro vão para um prato e três moedas já provadas vão para o outro.

Empate de novo aponta a única que ficou fora dos pratos, e a terceira pesagem, contra uma moeda provada, diz de que lado ela puxa. Se o trio pender, o lado já revela se a falsa é leve ou pesada, e a terceira pesagem entre duas delas fecha o caso.

Se a primeira pesagem pender, batize os três montes. As quatro do prato que desceu são as pesadas suspeitas, as quatro do prato que subiu são as leves suspeitas, e as quatro que ficaram na mesa estão limpas.

A segunda pesagem mistura os montes de propósito. De um lado, três pesadas suspeitas e uma leve suspeita. Do outro, a quarta pesada suspeita e três limpas.

Se o lado das três descer, a falsa é uma daquelas três e é pesada. A terceira pesagem põe duas delas frente a frente: a que descer é a falsa, e o empate entrega a que ficou de fora.

Se os pratos empatarem, as seis do teste estão limpas, e a falsa é uma das três leves suspeitas que ficaram na mesa. A terceira pesagem põe duas delas frente a frente: a que subir é a falsa, e o empate entrega a terceira.

Se o outro lado descer, sobram dois casos apenas: a pesada suspeita que atravessou sozinha ou a leve suspeita que trocou de prato. A terceira pesagem coloca a pesada suspeita contra uma limpa e resolve os dois de uma vez.

Três leituras de três respostas dão vinte e sete caminhos diferentes, e o enunciado pede vinte e quatro: doze moedas vezes os dois lados possíveis do defeito.

A margem é apertada de propósito. Sobram três caminhos de folga, e qualquer pesagem que desperdice uma das três respostas estoura o orçamento antes da terceira leitura.

Guarde o hábito de escolher a jogada pelo que ela deixa em pé depois, porque o enigma que vem agora troca a bancada por um convés e a balança por quatro votos.

 
 

II  O Enigma do Dia

A partilha decidida no voto da tripulação

Cinco piratas repartem cem moedas de ouro. O mais velho propõe a partilha primeiro e a tripulação inteira vota. Se a proposta não juntar metade dos votos, quem propôs vai ao mar e a vez passa para o próximo na hierarquia. Descubra quantas moedas o mais velho consegue guardar para si.

Os cinco estão ordenados por idade, sem empate, e a ordem é conhecida por todos. O mais velho propõe primeiro. Se a proposta dele cair, ele sai da roda e o segundo mais velho assume a palavra, com quatro na mesa e as mesmas cem moedas.

A proposta passa quando reúne pelo menos metade dos votos da mesa, e o proponente vota. Com cinco votando, três aprovam. Com quatro, dois bastam. Com dois, o voto do proponente sozinho já fecha a conta.

As moedas são iguais e indivisíveis: uma moeda inteira, nunca meia. A proposta diz quanto cada pirata leva, e não existe segunda rodada depois da leitura.

Todos raciocinam bem e sabem que os outros também raciocinam bem. Ninguém erra a conta e cada um enxerga o que aconteceria em cada mesa menor.

Ninguém vota sim por gentileza nem por receio. Um pirata aprova quando a proposta entrega mais do que ele receberia depois da queda dela, e recusa quando entrega o mesmo ou menos.

Fora da regra: partir moeda ao meio, combinar voto antes da leitura, prometer pagamento futuro, abrir mão da vez e decidir a partilha por sorteio.

Onde quase todo mundo trava

A primeira tentativa divide em partes parecidas. Vinte para cada, ou quarenta para o proponente e quinze para os demais, com a sensação de que a proposta precisa parecer razoável para passar.

A segunda começa pelo começo. Quem parte da mesa de cinco tenta adivinhar o humor da tripulação, e a mesa de cinco ainda não sabe o preço de nada.

A terceira confunde maioria com unanimidade. O mais velho não precisa agradar quatro pessoas, precisa de dois votos além do próprio, e os outros dois podem sair de mãos vazias.

O que compra um voto não é o tamanho da fatia, é a diferença entre a fatia oferecida e o que aquele pirata levaria se a proposta caísse.

A votação de cinco não é uma cena, são quatro cenas encaixadas. A mesa de cinco depende da mesa de quatro, a de quatro depende da de três, e a de três depende da de dois, que é a única que não depende de ninguém.

Repare em quem sai barato. O pirata que receberia zero na mesa seguinte aceita uma moeda e vota sim sem pensar duas vezes, porque uma moeda vale infinitamente mais do que nenhuma.

Existe uma partilha que passa já na primeira votação e ainda deixa o proponente com quase tudo.

O enunciado está inteiro aqui em cima. Cinco piratas, cem moedas indivisíveis, metade dos votos e uma fila de sucessão que todo mundo conhece de cor.

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III  Sequência

Dois piratas na mesa antes dos cinco

Separe cem grãos de feijão ou cem palitos e cinco cartas do baralho numeradas de um a cinco para marcar a hierarquia. Um caderno aberto do lado resolve o resto, e o material acabou aqui.

Quem empurra os grãos com a mão fecha antes de quem tenta segurar quatro mesas de cabeça. As cartas mostram na hora quem já saiu da roda, e o papel guarda a coluna que a memória embaralha.

1. Comece pelo fim. Tire três cartas da mesa e deixe só as duas últimas. Escreva quanto cada um dos dois leva quando o mais velho da dupla propõe e vota. Guarde o par por escrito, porque tudo lá em cima se apoia nele.

2. Suba um degrau de cada vez. Com três cartas na mesa, quantos votos a proposta precisa, e quem já sabe o que receberia caso ela caia? Repita com quatro antes de encostar nos cinco, e anote cada mesa numa linha.

3. Feche o palpite por escrito antes de largar o problema, com o número que o mais velho guarda e o nome de cada pirata que vota a favor. Palpite guardado só na cabeça vira sempre um confortável eu já sabia.

"A vida só pode ser compreendida olhando para trás, mas tem de ser vivida para a frente."

Søren Kierkegaard, Diários, 1843.

A partilha funciona do mesmo jeito. Ela é entendida de trás para frente, da última mesa até a primeira, e é proposta de frente para trás, com o mais velho falando antes de todo mundo.

A mesa de dois ensina a parte que quase todo mundo pula. Quando o penúltimo pirata propõe para o último, o voto dele sozinho já é metade da mesa, e o último descobre que a recusa dele não vale nada.

Se travar, inverta a pergunta. Em vez de perguntar quanto o mais velho oferece, pergunte quanto cada tripulante perde quando a proposta cai, e o preço de cada voto aparece sozinho.

A Sequência é o placar de quem vira a chave sozinho. Um ponto por enigma fechado antes de a solução aparecer, e o placar zera no dia em que você espia fora da hora. Ninguém confere, e um placar sem plateia é o único que não se falsifica.

Um último aviso de jogo limpo. Se o seu plano precisa de moeda partida ao meio, de acordo combinado antes da leitura ou de um pirata que vota contra o próprio bolso, ele ainda não é o plano.

Cinco piratas, cem moedas indivisíveis, metade dos votos para aprovar e o mar esperando quem não juntar.

A hierarquia já está dada pelo enunciado. Falta descobrir o que acontece na mesa em que sobram apenas dois piratas.

"Com dois piratas na mesa, quem precisa do voto de quem?"

 
 
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