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O material é uma folha, um lápis e dez minutos. O procedimento abaixo resolve qualquer gaiola de duas espécies, com qualquer contagem de cabeças e pés, sem tentativa jogada fora.
1. Multiplique as cabeças pelo menor número de pés. Com 35 cabeças e a galinha valendo 2, escreva 70. Esse número é a gaiola imaginária em que toda cabeça é da espécie mais leve.
2. Subtraia o resultado da contagem real de pés. Com 94 pés reais, a sobra dá 24. Essa sobra é a dívida que só a espécie pesada consegue pagar.
3. Divida a sobra pelo salto entre as espécies. O coelho tem 4 pés e a galinha tem 2, então cada troca paga 2 pés, e 24 dividido por 2 dá 12 coelhos. As cabeças restantes, 23, são galinhas.
4. Confira pela volta antes de fechar a folha. Vinte e três vezes 2 dá 46, doze vezes 4 dá 48, a soma dá 94 pés e a contagem de cabeças fecha em 35. Se a divisão do passo 3 não der um inteiro, o enunciado está corrompido e nenhuma resposta existe.
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"今有雉兔同籠,上有三十五頭,下有九十四足。問雉兔各幾何?" (Há faisões e coelhos na mesma gaiola. Em cima, 35 cabeças; embaixo, 94 pés. Quantos são de cada?)
Sunzi Suanjing, livro III, problema 31, compilado entre os séculos III e V.
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O animal do texto original é o faisão, não a galinha doméstica, e a troca aconteceu na estrada. O problema atravessou o mar e virou o tsurukamezan japonês (cálculo do grou e da tartaruga), com aves de 2 pés e cascos de 4 pés no lugar dos bichos chineses, e chegou às escolas ocidentais já com galinha na gaiola.
O mesmo Sunzi Suanjing guarda um problema mais famoso que o da gaiola: achar o número que deixa resto 2 na divisão por 3, resto 3 na divisão por 5 e resto 2 na divisão por 7. A solução do manual é o embrião do que a matemática moderna chama teorema chinês do resto, batizado assim por causa dessas páginas.
A Sequência é o placar de quem fecha sozinho. Um ponto por enigma resolvido antes de a solução chegar, e o placar zera no dia em que você espia fora da hora. Placar sem plateia ninguém falsifica.
O método das patas levantadas continua trabalhando longe de qualquer gaiola: ele aparece na mistura de dois produtos com preços distintos até um total fechado e na liga de dois metais a partir do peso e do volume da peça.
A gaiola de Sunzi é uma aula sobre medir o que não se pode abrir. Ninguém separou os bichos, ninguém tocou num só, e mesmo assim a espécie de cada cabeça ficou decidida. Duas contagens tomadas de ângulos diferentes valem uma inspeção que a porta trancada não permitia.
"Quantas vezes você pediu para abrir a caixa quando bastava medi-la por dois lados?"
Teste hoje, em dez minutos: abra a despensa e escolha duas embalagens de pesos conhecidos, por exemplo latas de 400 gramas e pacotes de 1 quilo. Peça a alguém que monte uma sacola sem te mostrar o conteúdo, informando só quantas peças entraram e o peso total na balança da cozinha. Resolva pelo passo 1 ao 4 e cronometre. Na primeira sacola você gasta perto de dois minutos; na quinta, com a sobra e o salto na cabeça, cada uma sai em menos de trinta segundos. A queda no cronômetro mede o instante em que o procedimento substituiu o chute.
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