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A chave é ROMA, e a mensagem diz: O GATO VIU O GATO NO ESPELHO.
O trecho FUMTF começa na posição 1 e de novo na posição 9. A distância é 8, e 8 é múltiplo de 4. A palavra OGATO, sem o espaço, caiu nas duas vezes começando pela letra R da chave, e por isso saiu cifrada igual.
A conta da primeira letra: F vale 5 e O vale 14. A chave precisa somar 17 casas a 14 para dar 31; tirando 26, sobra 5, o F. A letra de valor 17 é o R. As demais saem com a mesma subtração:
1. R vale 17: F (5) menos 17 dá -12, mais 26 dá 14, o O.
2. O vale 14: U (20) menos 14 dá 6, o G.
3. M vale 12: M (12) menos 12 dá 0, o A.
4. A vale 0: T fica T.
A pergunta extra: o texto só repete uma sequência de letras, OGATO. O NO, por exemplo, cai noutra posição do ciclo: o N encontra o O da chave e o O encontra o M, e os dois saem como B e A, sem cópia em lugar nenhum.
O método impresso de Kasiski
Friedrich Wilhelm Kasiski publicou o método em Die Geheimschriften und die Dechiffrir-Kunst (as escritas secretas e a arte de decifrar), Berlim, 1863. O livro tem menos de cem páginas, e ele escreveu poucas linhas sobre criptografia depois dele.
O roteiro dele tem dois tempos. Primeiro, listar as repetições, medir as distâncias e procurar o divisor comum, que dá o tamanho provável da chave. Depois, separar o texto em colunas, uma para cada letra da chave. Cada coluna foi cifrada com um alfabeto só, e a análise de frequência volta a funcionar dentro dela.
Uma carta de duas páginas cifrada com chave de seis letras rende seis colunas de dezenas de letras cada. Em cada coluna, a letra mais comum aponta para o A do português ou do alemão, e a chave aparece letra a letra.
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Kasiski transformou uma cifra de muitos alfabetos em várias cifras de um alfabeto só.
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O próprio Babbage deixou registrado o tamanho da autoconfiança dos inventores de cifras: “One of the most singular characteristics of the art of deciphering is the strong conviction possessed by every person, even moderately acquainted with it, that he is able to construct a cipher which nobody else can decipher” (uma das características mais curiosas da arte de decifrar é a convicção de toda pessoa, mesmo pouco versada nela, de que consegue criar uma cifra impossível de quebrar para os outros), Charles Babbage, Passages from the Life of a Philosopher, 1864.
A saída contra Kasiski veio no século 20: chave do tamanho da mensagem, sorteada e usada uma vez só. Sem ciclo, não há eco para medir.
“Qual capital europeia de quatro letras cifrou FUMTF JUUFU MTFBA EJDQL YC?”
Roma: a chave ROMA, repetida, transforma O GATO VIU O GATO NO ESPELHO na mensagem cifrada.
Teste hoje: escolha uma chave de cinco letras e cifre à mão a frase O SOL E O SOL, sem espaços. Cronometre quanto tempo leva e confira se as duas cópias de OSOL saem iguais; com essa chave, elas devem sair idênticas, porque a distância entre elas é 5, o tamanho da chave.
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