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A resposta aceita pelos editores modernos do Enigma 51 é a escrita: uma pena de ave e os três dedos que a seguram, guiados pelo copista. Em cinco passos:
1. As quatro criaturas que viajam juntas são a pena e os três dedos que a apertam: polegar, indicador e médio.
2. O rastro preto é a linha de tinta, que fica na folha depois que a pena passa.
3. Voar no ar e mergulhar sob a onda é o vaivém da pena entre a página e o tinteiro de chifre. Ela é mais ousada que as aves porque saiu da asa de uma delas.
4. O ouro lavrado é a página iluminada (decorada com ouro e cor), e o caminho sobre ela é a linha de texto.
5. O guerreiro sem descanso é o próprio escriba, que conduz as quatro criaturas palavra por palavra.
O enigma descreve o trabalho de quem o copiou. A mão que escreveu a folha 113 fazia, enquanto copiava, exatamente a cena do poema.
Os enigmas que seguem abertos
Nem todo poema da coleção cede assim. O Enigma 90, o único em latim, começa: “Mirum videtur mihi: lupus ab agno tenetur” (parece-me um prodígio: o lobo é preso pelo cordeiro). Depois aparecem dois lobos que atormentam um terceiro, com quatro pés e sete olhos.
Henry Morley, estudioso inglês do século XIX, leu ali o Cordeiro de Deus; outros propuseram a teia e o tear, ou um candelabro. Mercedes Salvador-Bello escreveu em 2018, na revista acadêmica Neophilologus, que nenhuma solução satisfatória tinha aparecido, e leu o texto como exercício escolar de latim rebuscado.
Parte do impasse é física. No segundo verso, duas letras do verbo sumiram num ponto queimado e falta uma palavra inteira; os editores costumam pôr rupi (sobre a pedra), escolhida pela rima com lupi (do lobo), sem prova de que estava lá.
O Enigma 74 tem o problema oposto: respostas demais. A voz diz ter sido moça jovem, mulher grisalha e guerreiro sem igual ao mesmo tempo, e conta que voou com as aves, nadou no mar e pisou a terra. Já propuseram sereia, carranca de proa, barco de carvalho, pena de escrever, sépia (o molusco) e água; cada proposta explica parte dos versos e tropeça em outra.
O último da coleção, o Enigma 95, fala de um ser nobre, conhecido de ricos e pobres, que viaja longe. Os traços servem a muitos candidatos: o livro, a alma, a lua, o sol. Dieter Bitterli defendeu o sol em 2019, e a lista continua aberta.
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Em Exeter, o enigma sem solução nasce de três faltas: o título, a palavra queimada e o acordo entre leitores.
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“Quem são as quatro criaturas de rastro preto do Enigma 51?”
A pena e os três dedos do copista, guiados pela mão dele sobre a página dourada.
Teste hoje: descreva um objeto da sua mesa em três frases no molde do Enigma 51 (o que ele faz, o rastro que deixa, quem o guia), sem dizer o nome. Leia pra alguém e conte os palpites errados antes do certo. Acerto no primeiro palpite quer dizer que a frase do rastro entregou demais: troque por um verbo de bicho e teste de novo.
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